Conto – O Realizador de Sonhos

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Há muito tempo, havia um menino que nasceu com um dom um tanto pecualiar: tornar os sonhos das pessoas em realidade. Seu nome era Danilo e seus olhos verdes expressavam esperança. Esse talento começou a ser evidente quando completou sete anos, onde quer que passasse, todos ficavam mais felizes e realizados. Era como se milagres acontecessem todos os dias.

O tempo foi passando e um dia percebeu que não conseguia realizar seu maior sonho. E em uma noite quente de verão avistou várias estrelas no céu. Uma delas brilhava intensamente e então fez um pedido com toda a força do seu grande e bondoso coração.

– Estrela que brilha tão intensamente no céu, por favor, escute este pedido que eu faço com amor: eu realmente gosto de fazer as pessoas felizes, mas me sinto tão sozinho… É como se faltasse uma parte de mim.

De repente, o astro brilhou mais forte e caiu do lugar onde estava, para ficar do lado do jovem adolescente. Não tinha forma, era apenas uma luz amarela que faíscava e esquentava como o Sol. Ele recuou alguns passos.

– Não tenha medo… Não irei lhe fazer mal… – começou a falar. – Vejo que tem um bom coração e que gosta muito de ajudar as pessoas. – a luz tocou-lhe o peito. – Irei realizar seu sonho.

– Irá?

A estrela apenas consentiu e um grande clarão pode ser visto por toda a cidade. O garoto havia se transformado em um ser com luz própria e simplesmente desapareceu.

Hoje, ele não está mais sozinho. Na verdade, está dentro de todos nós… Mesmo que alguns pensam ter perdido, está dentro de nossos corações: a esperança. Por isso somos capazes de realizar todos os nossos sonhos, porque existe alguém dentro de nós que nos faz acreditar que tudo é possível, por mais impossível que pareça.

Nunca desista dos seus sonhos.

Conto – A Rainha das Borboletas

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Borboletas… Voando… Um sonho… Uma garota. Risadas.

Felipe acordou com um susto, estava suando e havia derrubado todas as cobertas no chão. Colocou as duas mãos na cabeça e pensou em como aquele sonho parecia ter sido real, já o havia tido tantas vezes… Talvez fosse por isso.

Levantou da cama, a arrumou, colocou os chinelos e foi para o banheiro. Morava sozinho em um apartamento no centro da cidade, onde ficava perto da faculdade e do emprego.

Olhou-se no espelho e percebeu algumas olheiras em volta dos seus olhos castanho-amendoados, fazia algumas noites que não dormia muito bem. Tinha esse mesmo sonho toda noite. Tinha que significar alguma coisa para se repetir tanto, não é?

Pegou o pente em cima da pia de porcenalato, penteou seu cabelo marrom escuro, escovou os dentes, trocou de roupa e retornou ao quarto para pegar a mochila e ir para a aula. Feito isso, certificou-se que tudo estava apagado e saiu do apartamento.

Seguiu rumo ao seu destino e encontrou alguns amigos que já estavam na sala, esperando a aula começar. Antes do professor entrar na sala, tateou o bolso na procura de seu celular e ao achá-lo, mandou uma mensagem.

Como a aula foi um tanto interessante, o tempo passou voando e o intervalo logo chegou. Felipe decidiu ir ao jardim que ficava no pátio, sempre ia lá para pensar um pouco e refrescar a mente. Quando ia se aproximando, viu que uma garota estava sentada no banco de madeira que costumava sentar.

Ela tinha cabelo marrom, não conseguia ver seus olhos porque o cabelo estava tampando. Sua mochila estava caída na grama verdinha e molhada por ter chovido recentemente.

Não queria assustá-la, por isso decidiu não sentar ao lado dela, mas tentar conversar primeiro.

– Oi. – disse simplesmente e a menina levantou a cabeça.

Seus olhos eram amendoados.

– Oi. – respondeu e enrubesceu.

– Posso sentar do seu lado? – perguntou, ficando um pouco nervoso.

– Desculpe, esse é o seu lugar? – ficou meio sem jeito e fez menção de pegar suas coisas e sair.

– Não não! Pode ficar, eu gosto de ter companhia.

Ambos sorriram.

– Qual o seu nome? – ele perguntou.

– Ana. – ela respondeu sorrindo e aquele sorriso o fez sentir como se já a conhecesse. – E o seu?

– Felipe.

De repente, uma borboleta vermelha e azul começou a voar ao redor deles e pousou no cabelo da menina. Outras borboletas apareceram e ficaram fazendo uma espécie de dança. O garoto imediatamente lembrou do seu sonho e sentiu uma grande sensação de deja vu.

– Acho que as borboletas gostam de mim. – ela deu risada. – Elas sempre me acompanham quando estou voltando para casa.

Aquela risada… Ela realmente era a garota com quem tinha sonhado. Seu sonho tinha passado para a realidade e ainda não estava acreditando.

– Você deve ser a rainha das borboletas.

Ela parou de rir e o encarou.

– Espera… Você disse rainha das borboletas?

– Sim, por que?

– Seria loucura dizer pra você que eu já o conhecia dos meus sonhos?

Os olhos dele brilharam.

– Não… – Felipe pegou em suas mãos frias. – Porque eu também já a conhecia.

Os dois abriram um grande sorriso. Duas borboletas pousaram nas mãos deles.

Dizem que as borboletas são um símbolo de liberdade, transformações e novas etapas. Ana nunca havia se sentido tão livre como se sentia com ele naquele momento.

Conto – O Escritor das Ruas

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Seu nome era Monique Russo, tinha os olhos mais azuis que o mar em calmaria, tinha uma estatura mediana e trabalhava como secretária em um grande escritório no centro da capital de São Paulo. Não era o emprego dos sonhos, mas a ajudava a pagar o curso de Direito que fazia a noite.

Andava com pressa pela calçada da avenida movimentada, tentava não esbarrar em ninguém enquanto carregava sua bolsa e seus livros pesados da faculdade. Estava muito atrasada, o despertador não tinha tocado e por isso acordou meia hora depois. Prometeu a si mesma que iria comprar um outro na hora do almoço.

Por mais que estivesse com pressa, algo a chamou a atenção. Parou de andar.

Era um mendigo que estava sentado encostado na parede de um dos gigantes edificios da cidade. Ele estava rodeado de livros de todos os tamanhos e gostos e várias folhas com escritos estavam espalhadas. Parecia difícil de imaginar que alguém que morasse na rua pudesse ter tantos livros e gostasse tanto de ler. E estava escrevendo. Um mendigo escritor?

A moça olhou para os lados e percebeu que ninguém parecia notá-lo. Resolveu que  iria se atrasar mais um pouquinho ao emprego. Tinha algo nele que estava curiosa para descobrir.

– Olá senhor… – começou a jovem, abaixando-se para olhá-lo.

O homem não levantou a cabeça e continuou escrevendo.

– O que quer? – bravejou, não querendo ser interrompido, o que assustou Monique.

– Só queria perguntar se o senhor gosta de ler tanto assim e o que tanto escreve…

Ao ouvir isso, o morador de rua pausou sua atividade e sorriu. Nunca nenhuma pessoa o havia chamado para conversar. A mirou e ela o achou muito familiar.

Conversaram por um longo período e a contou que havia deixado sua família há muito tempo e que se arrependia amargamente disso. Nunca teve a chance de ver a filha crescer.  E desde então, só conseguia achar calma quando escrevia e lia alguma coisa. Por incrível que parecesse, muitas pessoas jogavam livros no lixo e foi assim que fez sua pequena coleção.

A mulher o olhou com carinho, seu pai a havia deixado assim como sua mãe sem motivos aparentes. Um dia ele simplesmente sumiu. Ainda conseguia se lembrar de quanto sua mãe chorou naquela noite.

– Eu escrevi muito durante todo esse tempo que andei vagando pelas ruas. Acho que até escrevi um livro inteiro… – ficou pensativo e tratou de procurar algumas folhas perdidas no meio de seu único e grande tesouro. – Aqui está.

– Posso ler?

– Fique à vontade. – respondeu gentilmente, ela já tinha ouvido aquela voz tão suave.

Olhou para a primeira folha, que parecia ser uma dedicatória e leu: “Em memória de Monique Russo. Desculpe ter ido embora, minha filha. Agora é muito tarde para consertar meus erros. Saiba que a amo muito. Adeus.”

Terminou de ler e procurou o homem, mas ele já não estava mais lá. Havia somente uma chuva gélida e fina que gelou seu coração.

Como sempre, ninguém havia notado.