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Era uma manhã ensolarada, com poucas nuvens no céu e um clima bastante seco. Estava um dia perfeito para fazer uma pequena caminhada no parque ou um piquenique.

Uma toalha branca e vermelha jazia de modo desarrumado na grama seca e recém cortada, à beira de um pequeno rio que cruzava o parque do Ibirapuera. Algumas árvores com seus grandes galhos de folhas amareladas projetavam uma sombra no pano onde estava uma cesta de piquenique e dois jovens deitados.

A menina vestia um vestido que ia até o joelho e ela possuía os olhos mais brilhantes que alguém já poderia ter visto. Apesar de seu cabelo marrom longo e liso estar cobrindo parte de seu rosto, podia-se ver covinhas nas bochechas à medida que sorria verdadeiramente para o garoto ao seu lado.

O menino possuía olhos amendoados que demonstravam todo o carinho e amor que queria transmitir para ela. Seus braços fortes e grandes estavam ao redor da garota, como se a quisesse proteger.

Os dois conversavam animadamente e hora em outra ficavam em silêncio, só sentindo a respiração um do outro. Estavam em uma parte menos movimentada do parque, onde poucas pessoas gostavam de ir. Sem dúvida também era a mais bela… Havia muitos patos e cisnes nadando alegremente pelo rio, assim como borboletas de diversos tipos, cores e tamanhos fazendo majestosos voos entre as flores que cobriam o gramado ao redor dos adolescentes.

Laura estava quase caindo no sono quando viu um ponto de luz amarela brilhando fortemente ao longe. Sentou-se com os joelhos dobrados e coçou o olho para certificar-se que não estava vendo coisas, mas reparou que o brilho continuava lá e se aproximava lentamente.

As flores começaram a reluzir fortemente, uma por uma, como se várias velas fossem acendidas em efeito dominó. Mário notou algo estranho ao abrir os olhos e ficou mais surpreendido que sua namorada ao ver aquele espetáculo colorido de luzes. Era tão majestoso que não podiam nem pensar em piscar pois poderiam perder cada detalhe fabuloso.

De repente, um som doce e suave de flauta ecoou no ar e as luzes flutuavam gentilmente sob as plantas. Pouco a pouco, foram tomando forma: pareciam mulheres bem pequenas com orelhas pontudas e lindas asas que lembravam a textura e a leveza da seda. As roupas pareciam serem feitas de pétalas das mais belas e vivas flores de jasmim.

Era tudo tão surreal e fascinante que parecia um belo sonho, mas tinham certeza que não estavam dormindo. Aquelas criaturas… Podiam ser fadas?

Uma delas aproximou-se da menina e tocou-lhe a face com suas pequeninas mãos cheias de pólen. Laura estremeceu um pouco e pegou a mão de seu namorado.

A criatura fez um símbolo de volta para suas amigas e logo elas estavam ao seu lado, brilhando intensamente, como o Sol.

– Nada temam. – uma delas começou, tentando tranquilizá-los. – Somos fadas, criaturas da natureza. E estávamos a espera de vocês. – Sorriu.

Os dois se entreolharam, confusos.

– Há muito tempo estávamos todos adormecidas os esperando. Somos protetoras do amor. – outra fada de cabelos douradas longos falou. – O amor de vocês que nós despertou de nosso sono.

– Desde que nasceram, seus caminhos foram feitos para se cruzar. – disse um elfo que chegou voando de cima de uma árvore, com uma flauta nas mãos.

– Mas… Como nosso amor pode ser tão forte assim? Como sabiam que viríamos aqui? – perguntou Mário, um pouco apreensivo.

– Porque estava escrito… – sussurrou outra criatura de cabelos rosados.

Uma música começou a ser tocada e todas as fadas dançavam e cantavam ao redor do casal, enquanto o perfume de jasmim se espalhava pelo ar. Laura ficou tão admirada que levantou-se e puxou o garoto para lhe acompanhar no ritmo doce e animado da dança. Os dois sorriam, se divertiam e quando se olhavam, os olhos transbordavam amor.

Não era o ritmo que os unia, mas sim dois corações batendo em um mesmo compasso.

E dizem que ao pôr do sol, as fadas se transformam em estrelas para sempre proteger o amor verdadeiro e puro… O que existia e sempre ia existir entre Mário e Laura.

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