Conto – A Garota

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E lá estava aquela garota, sorriso perfeito, maquiagem perfeita, roupa arrumada. Que vida perfeita ela tem não é? Uma vida invejável por muitas pessoas. Todos se enganam nessa parte… Vida perfeita? Nada era tão perfeito assim.

Será que ninguém percebia o quanto aquele sorriso era mais artificial que sua maquiagem forte? Ninguém conseguia olhar dentro dos olhos dela e perceber, bem lá no fundo, toda aquela dor que sentia.

Blusas compridas e bonitas pulseiras reluzentes? Não é porque ela gosta… Ela esconde um segredo por debaixo disso tudo, marcas em formas de cicatrizes.

Não é a única que pede por socorro em silêncio. Quantas pessoas por aí não fazem a mesma coisa? Tantas outras com dores maiores ou menores. Outras que se sentem mais sozinhas que a própria solidão.

Essa linda garota pode estar por aí, com olhos azuis, verdes, amendoados, cabelo ruivo, não importa. O que importa mesmo é o quanto ela grita por socorro enquanto as outras pessoas simplesmente não veem. E sabe o que é mais triste? Existem muitas delas.

Mas um dia ela ainda vai encontrar o amor. Alguém que demonstre como o mundo pode ser maravilhoso. E ela vai se apaixonar por aquela risada desde o primeiro momento que o conhecer e o brilho retornará aos seus olhos. A vida dela não é e nunca será fácil, mas com ele ao seu lado, vai conseguir ir mais longe. Porque tudo que ela quer é o ver sorrindo e a dizendo que a ama. Nuvens escuras podem escurecer os seus dias por algum tempo, mas ele estará para clarear seu mundo e com um abraço confortante a fará sentir em casa. Pela primeira vez na sua vida. E tudo que quer é ficar ali para sempre, com ele.

E um sentimento forte assim nunca se apagará, se eternizará naquelas canções de amor ou naqueles encantadores poemas de Casimiro de Abreu. 

Os dois vão viver assim felizes para sempre, como um livro de romance. Porque tudo que ela quer é o ver sorrindo e sentir todo aquele amor que vai durar para sempre.

Conto – Enquanto a Cidade Dorme

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Nunca tinha visto a cidade por aquele ângulo. Ela parecia tão misteriosa e ao mesmo tempo… Tão morta. Poucas luzes acessas, as sombras brincavam com a imaginação e o medo de muitos. Eu não tinha medo… Muito pelo contrário! Aquilo tudo me fascinava de maneira desconhecida e surreal. Sempre que voltava do trabalho, eu sentia aquela vibração da cidade a noite. Aquela vibração que acontece enquanto todos estão dormindo.

Vi muitas pessoas perdendo suas preciosas vidas debaixo de imensos viadutos, desperdiçando uma existência se drogando ou vendendo drogas, muitos poderiam ter tido um futuro melhor. Sabe aquela menina ali? Aquela com cabelos loiros cacheados, olhos amendoados e vestido azul da cor do oceano? Em outro universo, ela seria uma grande médica… Existência desperdiçada.

Sempre que eu passo por aquele mesmo lugar, eu imagino cenas. Imagino como as pessoas estariam sem aquele grande mal, o grande vilão que assombra as cidades na escuridão e puxa inocentes para sua teia de maldade.

Algumas prostitutas estavam do outro lado da rua… Eu imaginava que muitas delas poderiam ser modelos de tão lindas ao invés de entrarem em carros luxuosos e ganhassem bem por uma noite de prazer, se tudo ocorresse bem. Muitas delas nunca mais eram vistas…

Tantas histórias… Tantas vidas que poderiam fazer grandes coisas… Tantos destinos interrompidos, como se a primavera nunca mais fosse aparecer.

Continuei andando e por um momento em minha mente, a imagem da esperança para aquelas pessoas aparecia… E eu sonhava com um futuro melhor.

Conto – O Caderno

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Pobre livro esquecido no sótão! Com o passar do tempo suas páginas iam ficando amareladas. Sua capa de couro preta como a noite, grafada com letras douradas estava desgastada e sem vida, repousava em um canto qualquer.

Esquecido em cima de uma mesa, coberto de pó, ele jazia… Por que lhe haviam esquecido? Em seu conteúdo, poemas de amor transbordavam sentimentos de paixão e eternidade. Lindos poemas esquecidos pelo tempo… Era como se ninguém mais lembrasse que estava lá, solitário, esperando por compartilhar tudo o que guardava.

Ah, mas alguém ainda iria entrar por aquela porta de mogno! Alguém ainda iria achá-lo e levá-lo para um lugar onde nunca mais fosse esquecido. E o tempo… O tempo nunca mais o atormentaria.